A PRESENÇA DO TETRAGRAMA HEBRAICO DENTRO DO SIMBOLISMO DO R.’.E.’.A.’.A.’. (PARTE II)
A PRESENÇA DO TETRAGRAMA HEBRAICO
DENTRO DO
SIMBOLISMO DO R.’.E.’.A.’.A.’. (PARTE II)
AS
QUATRO LETRAS HEBRAICAS NA FORMAÇÃO DO TETRAGRAMA (YHWH - יהוה)
O hebraico é
escrito e lido da direita para a esquerda, o que significa dizer que é o
sentido contrário à escrita e à leitura das palavras em português, por exemplo.
Na reprodução
do Tetragrama logo acima, portanto, a sua escrita e a sua leitura começam do
lado direito da página e seguem em direção ao centro da página.
Uma das letras,
a letra He ou Hei, aparece duas vezes. São quatro letras, porém uma delas se
repete.
Na ordem em que
elas aparecem dispostas para compor o Tetragrama, vejamos quais são estas
letras:
IOD, YOD
ou YUD (י): É a décima letra do ALEFBET (o alfabeto
hebraico) e a primeira do Tetragrama. (A primeira do Tetragrama significa dizer
que é a primeira a ser escrita). Esta letra pode ser encontrada em sua
transcrição com pequenas variações ortográficas, tais como as que acabaram de
ser mostradas. A sua pronúncia é de um “Y”, como em yes (inglês) ou “i”.
HE ou
HEI (ה): É a quinta
letra do ALEFBET. A segunda do Tetragrama. (A segunda a ser escrita e
posicionada do lado esquerdo da primeira letra). No português ela é equivalente
ao H, porém o som é levemente aspirado, como o H que aparece na palavra house
(inglês).
VAV ou
WAW (ו): É a sexta
letra do ALEFBET. A terceira do Tetragrama, estando posicionada à esquerda da
segunda letra. O som é o da letra V, como o da palavra valor.
HE ou
HEI (ה): Esta letra já
foi descrita logo acima, e ela aparece duas vezes no Tetragrama. A quarta letra
do Tetragrama, à esquerda da terceira letra.
O
TETRAGRAMA NO GRAU DE APRENDIZ
Anteriormente,
no capítulo I, vimos que o Tetragrama já está presente desde o Grau de Aprendiz
Maçom no R.’.E.’.A.’.A.’., ainda que de uma forma um tanto velada. Dentro da
tradição judaica, o nome de Deus é representado frequentemente pela primeira
letra, o YOD, motivado pelo respeito ao sagrado, pela tradição religiosa e como
forma de evitar a profanação.
A Maçonaria
adota a mesma posição de respeito ao que é sagrado, e a letra YOD é a que pende
do dossel.
O
TETRAGRAMA NO GRAU DE COMPANHEIRO MAÇOM
Na relação do
Grau de Companheiro Maçom com o Tetragrama surge um maior número de
referências, sendo que uma delas se relaciona diretamente à questão dos painéis
do Grau, eis que o Rito pode determinar algumas diferenças e, nesse caso, podem
ocorrer algumas do tipo: a existência de painéis onde, no centro da Estrela
Flamejante(4), ao invés da Letra G, aparecerá o Tetragrama. Às vezes as
mudanças ocorrem por ocasião da feitura de uma nova versão de um Ritual e
Instruções.
Por ocasião da
minha elevação ao Grau de Companheiro Maçom, no R.’.E.’.A.’.A.’., o Ritual que
recebi apresentava um Painel da Loja de Companheiro onde, no centro do mesmo,
constavam as quatro letras hebraicas caracterizando o Tetragrama, enquanto a
Estrela Flamejante com a Letra G em seu interior aparecia na borda superior do
mesmo painel, um tanto que pendendo para o lado esquerdo da tela. Em versões do
mesmo Ritual surgidas depois, o Painel que passou a ser utilizado mostrava a
Letra G no interior da Estrela Flamejante, porém situada logo abaixo da janela
que estava situada no plano mais alto do painel, entre o Sol e a Lua.
O que podemos
inferir sobre o que foi dito acima guarda semelhança com aquilo que está
exposto no seguinte trecho que pertence ao Ir.’. Almir Sant’Ana Cruz, citado em
seu livro que trata da simbologia dos Painéis, quando ele aponta para um dos
seis significados que ele atribui à Letra G:
“Grande
Arquiteto do Universo, G.’.A.’.D.’.U.’., God (Deus): a letra G é o mesmo que a
hebraica Iod, que traduz o nome do Criador Incriado e Autodivino, fonte de
todos os conhecimentos humanos.” (Cruz, 2019, pág. 207)
Voltando ao
Ritual e Instruções do Companheiro Maçom, na Terceira Instrução um dos tópicos
abordados é intitulado “O Tetragrama Hebraico”, onde se explica o significado
de cada uma das letras hebraicas que o compõem. Isso é uma mostra cabal de que
neste Grau já existe um cuidado em proporcionar uma abordagem mais detalhada
deste símbolo.
Um dos grandes
estudiosos brasileiros da Maçonaria e do seu simbolismo foi o Ir.’. Theobaldo
Varoli Filho, autor da trilogia Curso de Maçonaria Simbólica, em três volumes —
Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom.
No segundo
volume, dirigido ao Companheiro, no Cap. XIX ele discorre sobre o Tetragrama,
apresentando grande riqueza de informações.
No seu livro
ele ocupa duas páginas abordando o Tetragrama e as razões de ele estar
relacionado ao Grau de Companheiro Maçom. E aqui aparece mais uma variante
sobre a colocação do Tetragrama: o Ir.’. Varoli Filho apresenta, já ao final
dos seus comentários, o Tetragrama no interior de um Delta, acompanhado do
seguinte comentário:
“Nos ritos
maçônicos de tendência mística o mais acertado é usar o Tetragrama hebraico
dentro do Triângulo do Oriente, em vez do Olho Onividente.” (Varoli Filho,
1976, pág. 76)
Não serão
reproduzidas as passagens das diferentes versões do Ritual no tocante às
representações e comentários referentes a cada uma das quatro letras que formam
a Palavra Sagrada, porém reproduzimos sim as considerações do Ir.’. Varoli
Filho, já que ele as apresenta e comenta sob o título “O Tetragrama na
Generalidade das Instruções Maçônicas”, o que facilita o nosso trabalho.
O Ir.’. Varoli
Filho busca orientar o Companheiro Maçom sobre como ele deverá se organizar
(dentro de sua condição de criatura feita à semelhança do Ser Divino e Criador
e dentro também dos seus limitados poderes), onde o grande propósito é fazê-lo
manter-se sempre no caminho da Luz.
O Ir.’. Varoli
Filho usa o termo “Grande Geômetra”. Para quem não está acostumado com essa
expressão, ela também é utilizada na Maçonaria para representar a força
criadora suprema que organiza o Caos e governa o universo com Ordem, Justiça e
Retidão — é uma das designações para o Grande Arquiteto do Universo. A
utilização deste termo demonstra a sua ligação com a letra “G”, que simboliza a
Geometria como fundamento primordial de todas as artes, além da presença divina
na criação.
Para nos
familiarizarmos melhor com a ideia de que já vimos aqui vários nomes atribuídos
ou que servem para representar Deus — e outros nomes virão no decorrer desta
série —, tenhamos em mente que no Cap. I foi citada por Alan Unterman, quando
da sua descrição do verbete Tetragrama, a seguinte frase:
“De todos os
nomes de Deus, só o Tetragrama é considerado um nome verdadeiro.”
Na sequência
veremos a fórmula encontrada pelo Ir.’. Varoli Filho para melhor explicar ao
Companheiro Maçom como ele deverá internalizar esses ensinamentos baseados nos
significados respectivos de cada uma das quatro letras que compõem o
Tetragrama.
Assim:
O GRANDE
GEÔMETRA ou o GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO
IOD (י)
– Ele É, PENSA, QUER E MANDA. É o PRINCÍPIO CRIADOR.
O
COMPANHEIRO MAÇOM:Eu sou, penso com sabedoria, esclareço minhas
dúvidas e quero realizar. Não me entrego a ideias destruidoras ou inúteis.
(PRINCÍPIO PENSANTE)
O GRANDE
GEÔMETRA...
HE (ה) – Dele
derivou o sopro que animou a criatura, a própria vida. Dele emanou a irradiação
vital e existencial. É o VERBO.
O
COMPANHEIRO MAÇOM:Assim, quero inventar, planejar, criar tudo quanto
possa melhorar as condições da humanidade e investigar a verdade, para o
Progresso e o Bem Geral. (INVENÇÃO)
O GRANDE
GEÔMETRA...
VAU (ו) – Ele realiza o que pensa, pois é Senhor de todas as Regras do
Trabalho. Ele faz do abstrato o concreto, a relação de causa e efeito. É
ATIVIDADE OU TRABALHO.
O
COMPANHEIRO MAÇOM:Meu grau maçônico representa o TRABALHO, que é a
ATIVIDADE conjugada com as regras, pois não há trabalho útil sem aprendizado e
regras. Recebi de meu Venerável a Espada ou Gládio. Aprendi, assim, que a
nobreza pertence aos que trabalham e não à suposta dignidade das cortes. E meu
trabalho deve ser útil ao próximo. Do trabalho devo viver, para meu sustento e
dos meus dependentes. Não lançarei semente em terra vã. (DIREÇÃO)
O GRANDE
GEÔMETRA...
HE (ה) – Ele
consegue o resultado igual àquilo que Ele quis e emanou. Só Ele consegue
igualar o Verbo à Realização. Daí o fonema He se repetir no final. É a
SUBSTÂNCIA, o CONCRETO, A OBRA REALIZADA.
O
COMPANHEIRO MAÇOM:Meu fim é a OBRA DA VIDA. Meu lema é chegar sempre
a obras realizadas. Mesmo que eu não termine meus planos, sempre comecei a
Obra, com os dons que me concedeu o Grande Geômetra. E, para mim, a verdadeira
Obra da Vida é a realização da EUBIOSE(5), o melhor para a humanidade.
(EXECUÇÃO)
Aí temos o
quaternário: PRINCÍPIO, VERBO, ATIVIDADE e SUBSTÂNCIA.(Varoli Filho, 1976,
págs. 75–76)
UMA
VARIEDADE DE NOMES PARA UM NOME SÓ: O TETRAGRAMA
Daquilo que
vimos no Capítulo I — e agora nos referindo mais uma vez à frase de Jules
Boucher, quando comentou que os estudos sobre o Tetragrama Sagrado são muitos e
variados e que são muito confusos — podemos dizer que a confusão faz jus
plenamente ao sentido que ela carrega consigo de “misturar coisas diversas”.
A variedade de
nomes existentes, já mencionada anteriormente, é produto dos acontecimentos de
vários milênios, nos quais pesam fatores do tipo:
reverência
profunda (vide o Terceiro Mandamento, “não tomar o nome do Senhor em vão”,
Êxodo 20:7);
tradição
histórica do povo judeu: os escribas, ao lerem as Escrituras, ao se depararem
com o Tetragrama, pronunciavam Adonai (Meu Senhor) como substituição;
com o tempo, as
vogais pronunciadas em Adonai foram adicionadas às consoantes de YHWH,
criando nomes híbridos;
na tradição
judaica, em linguagem coloquial, passou-se a usar Hashem (O Nome),
omitindo a forma direta do nome pessoal de Deus;
na tradução
grega da Bíblia Hebraica (Septuaginta), YHWH foi substituído por Kyrios
(Senhor), consolidando a substituição;
com o passar
dos séculos sem que o nome YHWH fosse pronunciado, sua vocalização original foi
perdida.
CONTINUA...
NOTAS
Estrela
Flamejante (4):A Estrela Flamejante (ou Flamígera) é o símbolo central e
luz-guia do grau de Companheiro na Maçonaria, representando a estrela
pentagonal (cinco pontas) com a letra “G” ao centro. Ela simboliza a
inteligência humana, a sabedoria divina, a vitória do espírito sobre a matéria
e os cinco sentidos. (Fonte: Google)
EUBIOSE
(5):A Eubiose é uma escola iniciática e doutrina
espiritualista fundada em 1924, no Brasil, por Henrique José de Souza, com o
objetivo de promover o aprimoramento físico, mental e espiritual. Conhecida
como a “ciência da vida” ou “bem-viver”, busca harmonizar o ser humano com as
Leis Universais, unindo Filosofia, Religião e Ciência. (Fonte: Google)



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